As fases do cabelo e seus desequilíbrios segundo o Ayurveda

As fases do cabelo e seus desequilíbrios segundo o Ayurveda

Quando o fio acompanha as estações internas

No Ayurveda, nada no corpo é estático, nem mesmo o cabelo.
Cada fio nasce, cresce, repousa e se despede seguindo um ciclo tão natural quanto o das estações.
E entender esse ritmo é como aprender a falar a língua silenciosa que o corpo usa quando quer pedir ajuda.

O cabelo, para o Ayurveda, é um upadhatu:
um tecido secundário, nutrido pela “sobra” do que o corpo consegue transformar em energia vital.
Ou seja: o estado dos fios revela muito sobre o que acontece por dentro: digestão, emoções, sono, rotina, estresse.

Assim como as fases da natureza, o fio também vive seu próprio ciclo:

 1. Fase Anágena — Crescimento (Primavera interna)

É o período em que o cabelo está mais vivo.
A raiz produz, a circulação está ativa, o fio cresce com força.

No Ayurveda, esse é o momento em que Kapha predomina suavemente:
estrutura, nutrição, estabilidade.

Quando está em equilíbrio:
• crescimento constante
• raiz forte
• brilho natural
• sensação de vitalidade no fio

Quando desequilibra:
• crescimento lento
• fios finos
• raiz frágil
• quebra na extensão

Geralmente indica que o corpo está gastando energia em outras áreas, sono ruim, alimentação instável, agni fraco.

2. Fase Catágena — Transição (Outono interno)

É a pausa do fio.
Um momento de transição: ele para de crescer, mas ainda permanece firme na raiz.

No Ayurveda, é uma fase delicada porque o corpo recua energia, como o outono, quando as folhas começam a perder vigor.

Quando está em equilíbrio:
• fios estáveis
• pouca queda
• couro tranquilo

Quando desequilibra:
• queda acelerada
• irritação no couro
• afinamento súbito
• fios que “não seguram”

Aqui, geralmente quem entra em cena é Pitta, o dosha do calor, da intensidade.
Estresse, irritabilidade, excesso de estímulo, tudo isso “aquece” a raiz e encurta a vida do fio.

3. Fase Telógena — Despedida (Inverno interno)

É quando o fio completa seu ciclo e se solta.
Faz parte da natureza se despedir.

O problema é quando o corpo transforma a pausa em alarme.

Quando está em equilíbrio:
• queda moderada e constante
• fios novos surgindo na linha do couro
• ciclo saudável de renovação

Quando desequilibra:
• queda intensa
• sensação de rarefação
• queda emocional (pós-estresse, pós-doença, pós-cansaço)
• couro sensível, quente ou dolorido

Aqui, geralmente é Vata que dispara:
vento interno, instabilidade, ansiedade, rotina irregular, falta de nutrição profunda.

O fio “solta” mais rápido porque o corpo não consegue sustentá-lo.

O que desequilibra o ciclo segundo o Ayurveda

O Ayurveda não olha só para o fio, olha para a vida ao redor dele.

Os maiores desequilíbrios que afetam o ciclo capilar são:

Agni fraco (má digestão, excesso de ama, cansaço crônico)

O corpo não absorve o suficiente para nutrir o fio.

Estresse acumulado

A mente quente (Pitta) aquece o couro e acelera a queda.

Ansiedade e rotina irregular

Vata aumenta, o vento interno sobe para a cabeça e desestabiliza a raiz.

Sono leve ou interrompido

O cabelo depende do repouso para florescer.

Falta de oleação (abhyanga ou shiroabhyanga)

A raiz perde o calor, a umidade e a nutrição que sustentam o fio.

Excesso de estímulos

Perfumes fortes, química, água muito quente, fricção constante.

Nada disso “causa” queda de forma isolada
mas tudo conversa com o ciclo do fio.

Como o Ayurveda cuida do ciclo capilar

O cuidado começa dentro:
com comida quente, agni fortalecido, rotina regular, descanso real.

E se completa fora:
com óleo morno no couro, massagens circulares, shampoos naturais que respeitam a raiz, pausas entre lavagens e rituais que devolvem presença.

O fio é o último a receber nutrição.
Por isso, é também o primeiro a avisar quando algo está demais.

O cabelo floresce quando você floresce.
Ele repousa quando você ultrapassa seus limites.
Ele renasce quando você descansa.
Ele se ilumina quando você desacelera.

No fim, o ciclo capilar é um espelho das estações internas:
e quando você aprende a se ler,
aprende a se cuidar.

Voltar para o blog

Deixe um comentário